Rede de computadores cresce sem acompanhamento de ações educativas para sua exploração.
O crescimento da internet bate recorde. Hoje já é utilizada por mais de 22% da população brasileira. As vendas de computadores fazem do Brasil o quinto país no mundo, em unidades. Mas as maiores conseqüências estão na transformação do comportamento dos usuários. Principalmente dos mais jovens.
Nas últimas décadas, os computadores domésticos, a exemplo dos demais aparelhos eletro-eletrônicos, se multiplicaram. A invasão da tecnologia no cotidiano, sobretudo dos jovens de hoje - principais testemunhas deste período, trouxe mudanças irreversíveis.
Segundo estimativas, o brasileiro gasta em média, quase 24 horas por mês utilizando a Internet. Operações bancárias, inscrições em cursos, vestibulares e concursos, estão entre os incontáveis procedimentos formais importantes feitos na frente do teclado, sem sair de casa.
Com desenvolvimento tão acentuado, os investimentos na rede, como em publicidade por exemplo, que cresceu 36% no último ano no país, são decisivos para solidificar a nova realidade virtual. Serviços e compras também aproveitam o terreno fértil da comunicação online, oferecendo atendimento a domicílio.
Contudo, o cenário é preocupante quando se avaliam as conseqüências deste crescimento da tecnologia na vida e na saúde da população. A quebra das fronteiras físicas e a instantaneidade das informações cobram um preço alto na relação entre as pessoas. “A velocidade de um clique para obter uma informação desejada, a possibilidade de encontrar na internet um mundo paralelo, dentre outros fatores, operam mudanças no comportamento. Muitas vezes, o indivíduo se torna impaciente, evoluindo para um quadro de distúrbio de ansiedade, isolamento e depressão posteriormente”, explica o psicólogo Roberto Lustosa de Andrade. A falsa impressão de que o mundo virtual supre suas necessidades de comunicação faz com que a pessoa, ao se deparar com o mundo real, sinta desconforto, irritabilidade, solidão. Ainda segundo o psicólogo, um perfil comum de um dependente da Internet é o de um indivíduo tranqüilo, introspectivo, tímido. Na maioria dos casos, com idade entre 16 e 25 anos.
Os projetos de inclusão digital anunciados pelo governo aquecem os debates em torno das conseqüências, que em contrapartida aos benefícios do acesso livre à Internet, trazem enorme preocupação à formação dos jovens. Isso porque enquanto muitos pais observam o relacionamento e os meios freqüentados pelos filhos na vida real, no mundo paralelo da Internet eles estão livres e suscetíveis a conteúdos promíscuos como pornografia, violência explícita, racismo e preconceito.
A rapidez com que as portas se abrem para a tecnologia, nem sempre permite acompanhamento de medidas controladoras da sua exploração e utilização. Assim, no caso da Internet, correto ou não, a responsabilidade pela sua participação na formação da personalidade, principalmente dos jovens, fica nas mãos dos pais, quando presentes. Os riscos de uma sociedade fria, composta por pessoas afastadas umas das outras, enquanto isso, vai se concretizando. Parece ambíguo na era da comunicação sem fronteiras. Mas isso se a falsa impressão de conexão - via Internet, não for transposta. A tecnologia existe para facilitar, para servir como ferramenta. Mas seu mau uso faz a sociedade dependente.
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